O (desa)FIAR

Há muitos fios no corpo e na mente, orgânicos e abstratos. Ora raízes, ora veias. Ora soltos, ora emaranhados.   

Sob esta perspectiva plural como a natureza humana, a nova coleção foi sendo criada, enredada, seguindo um ritual lento, reflexivo e delicado, através de enlaces, alinhavos, costuras e bordados, encarnando a minha feição e emoção.

Tessituras artesanais que traduzem escolhas, caminhos e histórias. Tramas cotidianas de quem mantém a atenção na agulha e na panela de pressão, de quem deixa escorrer rios do olhar e do gozo. Da mulher contemporânea que eu sou. Ou pode ser Joana, Maria; você?   

 

Vejo o adorno, para além do corpo, como uma manifestação de um estado de espírito, uma linguagem visual de quem somos, uma expressão da nossa personalidade e fases de nossa construção.   

Acho lindamente transgressor quem experimenta a liberdade de ser - para além de padrões - e se (pro)põe a vestir uma peça, sob o signo da extravagância e da ousadia sutilmente revelada.    

 

Penso nestes aspectos como conquistas que alçam meu trabalho e alcançam a dimensão do feminino, a plenitude do ser e suas afinidades que fogem da lógica de mercado e tendências.   

Quero o novo, não a novidade. Ressignifico, transformo, abraço e busco transmitir em cada peça, semeando a entrega mais significativa: o primor, o singular, as relações e laços criados. Sempre belos e atemporais.    

 

Gratidão define. 

INSPIRAÇÃO